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Blog / Finanças

Earnouts em M&As: Definição e Estruturação na Venda de Empresas

Equipe VOGA · 22 de maio de 2024 · 5 min de leitura
Capa do artigo: Earnouts em M&As: Definição e Estruturação na Venda de Empresas

Descubra como earnouts podem minimizar riscos e facilitar transações de fusões e aquisições, alinhando metas de desempenho e compensação.

Durante minha experiência atuando em fusões e aquisições (M&A), projetamos o crescimento da empresa vendedora considerando uma multiplicidade de fatores, tais como capacidade produtiva, demanda de mercado endereçável, contexto macroeconômico, dinâmicas setoriais entre fornecedores e compradores, entre outros. Contudo, surge um dilema: o que ocorre quando projetamos um aumento de 40% na receita de uma empresa nos próximos cinco anos e perguntamos ao sócio vendedor: “Se a transação morresse hoje, você conseguiria viver com essas metas?” Em muitas ocasiões, a parte compradora acredita que não conseguiria, pois enxerga um alto nível de risco no investimento. É nesse ponto que o earnout entra.

Exploraremos a definição da estrutura do earnout, as condições frequentemente negociadas e responderemos a algumas das perguntas mais comuns.

O que é um Earnout?

De modo geral, o earnout é um direito contratual que o vendedor possui de receber pagamentos condicionais do comprador, os quais estão subordinados ao cumprimento de determinadas métricas financeiras ou de desempenho, bem como ao alcance de marcos específicos, durante o período pós-fechamento.

Em outras palavras, trata-se de uma estrutura em que todas as partes envolvidas ganham, caso as métricas estipuladas sejam alcançadas. O comprador minimiza seu risco através de pagamentos vinculados ao desempenho do investimento realizado, enquanto o vendedor é remunerado conforme o aumento da receita. Contudo, este modelo pode não ser adequado para todos os perfis de sócios, visto que alguns preferem sair completamente da operação.

Estruturação de um Earnout: Elementos Chave

• Os objetivos financeiros que devem ser alcançados para o vendedor receber a compensação adicional. Geralmente, esses objetivos são expressos como uma porcentagem do faturamento, lucros ou EBITDA; • O período em que esses objetivos devem ser alcançados e as premissas contábeis utilizadas para estabelecer as condições de desempenho; • O tipo de pagamento condicional (em cash ou stock), bem como os limites máximos; • O montante da compensação adicional que será pago se os objetivos forem alcançados e os destinatários nomeados do earnout na organização do vendedor; • Fatores relevantes a considerar: Concorrência pelo ativo; • Dependência do vendedor no processo de PMI (post-merger integration); • Ciclo de vida da empresa; • Conclusão da due diligence realizada; • Percepção de potenciais riscos.

Estruturação de um Earnout: Caminhos

• Pagamentos adicionais ao vendedor caso os lucros ultrapassem os níveis acordados; • Pagamentos de dividendos crescentes até a conclusão da compra; • Antecipação e pagamento adiantado de uma dívida específica concedida ao vendedor como parte do valor de aquisição, estipulada com base nos lucros que ultrapassam os níveis previamente combinados; • Compra de controle seguido de uma opção de comprar o restante do capital em alguns anos, por um preço ou múltiplo pré-estabelecido (acordo put-call); • Pagamento adiado: o total do capital é adquirido inicialmente à vista e o restante da participação acionária no futuro a preço ou múltiplo negociado.

1. Por que as partes usariam um earnout?

• No decorrer da transação, especialmente no período pós-due diligence, é comum que as partes discordem quanto ao valor do negócio ou à capacidade do vendedor de realizar os resultados projetados de fluxo de caixa. O earnout surge como uma solução: o comprador paga um preço base mais um prêmio quando e se o fluxo de caixa esperado se materializar. Essa abordagem permite também ao vendedor capturar o valor total do negócio, caso ele se revele tão lucrativo quanto o apresentado inicialmente.

• Além disso, o earnout previne o colapso da transação caso o comprador ameace abandoná-la.

2. Por que os earnouts são tão complexos de implementar?

• Embora simples em conceito, estruturar earnouts, na prática, levantam uma série de desafios:

• As partes precisam chegar em um acordo com a definição da métrica de performance (lucro, faturamento, EBITDA, etc). Além disso, o comprador vai querer ter certeza de que essa receita vem de operações contínuas e não de eventos extraordinários.

• Pode também haver a exigência de que a empresa adquirida seja operada separadamente e de forma consistente com a prática anterior.

• Se o comprador pretender integrar ou combinar algumas de suas operações, essas alterações podem causar conflitos e termos dos níveis de ganhos a serem esperados, especialmente se não forem decididos até depois da venda.

3. Quais preocupações que o vendedor deve ter em um earnout?

• O vendedor deve buscar acordos para que o ágio (goodwill) não seja considerado nos cálculos e que a empresa continue sendo operada de maneira consistente com as práticas passadas, sem arcar com novas despesas administrativas indiretas ou depreciação, encargos com juros e transações internas com a empresa compradora.

• Existem variáveis demais para um acordo legal fornecer proteção completa para ambas as partes em acordos de earnout. O comprador e o vendedor precisam confiar nas disposições expressas em termos de intenção ou boa-fé das partes.

• Muitas vezes, o comprador pode ter sorte: tudo o que o vendedor quer é sair e seguir para outra coisa. A última coisa que o vendedor quer é monitorar de perto as decisões sobre quais são e quais não são despesas diretas, essenciais para a administração adequada de um earnout.

4. Por que os earnouts não são mais comuns?

Controlar os custos com o comprador agora no comando é muito difícil. O comprador pode gastar demais em áreas específicas, como marketing, investimentos, salários, e assim por diante, e colher os benefícios muitos anos no futuro, mas reduzir o preço pago hoje ao diminuir os lucros reportados. Se o vendedor ainda estiver administrando o negócio, o oposto é verdadeiro: o vendedor reduz despesas essenciais e infla os lucros artificialmente.

5. Existem alternativas para o conceito de earnout?

• Com certeza, mas, infelizmente para o vendedor, muitas estão sob o controle do comprador (warrants, ações preferenciais, e outros instrumentos contingentes).

6. E um holdback? O que é?

• Um holdback acontece quando o comprador de uma empresa reserva uma parcela do valor da compra do vendedor como garantia após a conclusão do negócio. Essa medida visa resguardar o comprador contra eventuais perdas ou passivos não previstos logo após a mudança de controle da empresa.

Conclusão

O cenário de M&A no Brasil é difícil. Enquanto em mercados europeus ou nos Estados Unidos é comum concluir uma transação em seis meses, aqui no Brasil o processo muitas vezes se estende por mais de um ano. No atual contexto de fusões e aquisições, enfrentamos um desafio significativo devido à disparidade entre a avaliação esperada pelos vendedores e os valores que os compradores estão efetivamente dispostos a oferecer. Com earnouts, as partes conseguem reduzir seus riscos e facilitar o fechamento da transação.

Fonte: comitê de alocação VOGA. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação individualizada de investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura.
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