CRI e CRA: Aplicações de renda fixa isentas de IR 

CRIs e CRAs são isentos de IR, com rentabilidade superior ao Tesouro Direto e sem FGC. Saiba como investir para maiores retornos.
CRI E CRA
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CRI e CRA são dois tipos de títulos de renda fixa lastreados em créditos securitizados. 

CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) é um título de renda fixa que tem como lastro financiamentos imobiliários, como contratos de compra e venda ou negociação de imóveis residenciais, comerciais ou corporativos. 

CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) é um título de renda fixa que tem como último financiamento o setor agropecuário, como empréstimos para custeio, comercialização ou industrialização de produtos agropecuários. 

A principal diferença é que o CRI é lastreado no setor imobiliário e o CRA no setor do agronegócio. 

Ambos são títulos de renda fixa emitidos por meio de um processo chamado de securitização . A securitização consiste em uma empresa (securitizadora) comprar créditos para receber de outras empresas (cedentes), reunir esses créditos em um fundo e emitir títulos para serem negociados no mercado. 

Dessa forma, as empresas cedentes recebem antecipadamente a coleta de seus créditos futuros, enquanto os investidores compram os títulos para obter retorno financeiro. 

Como funciona 

Para o investidor, os CRIs e CRAs se parecem com outros investimentos de renda fixa: compram-se os papéis e, em troca de manter os recursos aplicados, recebem-se uma remuneração (juros). 

No entanto, existem algumas características importantes: 

Características para o investidor 

  • Rentabilidade: Por serem papéis de renda fixa, os remuneradores que os certificados de recebíveis oferecem aos investidores seguem um modelo semelhante ao de outros investimentos da categoria. Normalmente, os CRIs e CRAs adotam uma taxa de juros prefixada ou pós-fixada. 
  • Liquidez: O nível de dificuldade para resgatar o dinheiro aplicado nos certificados de recebíveis é um fator a ser considerado. Via de regra, eles são investimentos de longo prazo, com vencimento de pelo menos 2 anos. Para vendê-los antes disso, é preciso recorrer ao mercado secundário, onde a liquidez é restrita. 
  • Rentabilidade: Por serem papéis de renda fixa, os remuneradores que os certificados de recebíveis oferecem aos investidores seguem um modelo semelhante ao de outros investimentos da categoria. Normalmente, os CRIs e CRAs adotam uma das estruturas a seguir: 
  1. Remuneração prefixada: o investidor já sabe a taxa de juros que receberá. 
  1. Remuneração pós-fixada: o investidor sabe o indicador de referência, como o CDI, mas o retorno efetivo dependerá das variações desse índice. 
  1. Remuneração atrelada à inflação: parte prefixada e parte pós-fixada. 

Riscos e Garantias 

Em um primeiro momento, por algumas de suas características, os certificados de recebíveis podem lembrar bastante outros papéis vinculados aos mesmos segmentos: as letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA). Existem, no entanto, diferenças profundas no sistema em que a emissão de cada um desses papéis está baseada. 

Um exemplo é o risco que cada produto emite. Quem compra uma carta de crédito fica exposto ao risco geral da própria instituição financeira – normalmente um banco – que a emitiu. Assim, se o banco tiver um problema de liquidez, mesmo que não diretamente relacionado ao último das letras, os investidores também sentirão o impacto. 

No CRI e CRA, isso pode ser diferente. Quando os papéis são emitidos dentro do chamado “regime fiduciário”, o investidor não corre o risco da companhia securitizadora – que é apenas um veículo de emissão. O risco que ele fica exposto é exatamente o das operações incluídas nos certificados. 

Em outras palavras, o que conta é a capacidade de pagamento de quem tomou o financiamento ou fez um empréstimo para comprar um trator. Quanto maior o risco desse grupo de compradores dar um calote nas suas dívidas, mais arriscado o papel é considerado. 

A vantagem, na prática, é que o risco dos certificados é segregado do risco da securitizadora. Se ela tiver dificuldades financeiras, o fluxo de pagamento para os investidores não será afetado, porque os recebíveis estão formalmente separados do patrimônio da securitizadora. 

Por outro lado, uma desvantagem é o fato de que CRIs e CRAs não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo envolve até R$ 250 mil por investidor caso uma instituição que emite papéis como LCIs e LCAs – além de CDBs e a própria poupança – tiver problemas financeiros. 

Tributação e Taxas 

Um dos principais atrativos dos certificados de recebíveis é a isenção de Imposto de Renda e de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para pessoas físicas. Com isso, não é preciso descontar mais nada da rentabilidade oferecida aos investidores – ela já é líquida. 

Em outros investimentos de renda fixa, como CDBs e títulos públicos, o investidor paga Imposto de Renda seguindo uma tabela regressiva, em que as alíquotas diminuem conforme o tempo que a aplicação. Um investimento resgatado em menos de seis meses pagando 22,5% de IR sobre a rentabilidade. Já se o saque for realizado apenas depois de dois anos, a alíquota do IR cai para 15%. 

Além disso, normalmente não há cobrança de taxa de administração sobre certificados de crédito. Muitas corretoras também isentam investidores de taxa de corretagem ou de custódia, embora algumas possam cobrar por esse tipo de serviço. 

Vantagens e Desvantagens 

As principais vantagens dos CRIs e CRAs são: 

  • Rentabilidade: Esses títulos podem oferecer retornos maiores do que outras opções de renda fixa, como Tesouro Direto. 
  • Isenção de IR: Os rendimentos de CRI e CRA são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. Ou seja, o investidor obtém a rentabilidade integral, sem descontos. 
  • Diversificação: É uma alternativa para diversificar a carteira de renda fixa além de títulos públicos e CDBs. 
  • Investimento de longo prazo: Os prazos mais extensos permitem investimentos planejados de longo prazo. 

As principais especificações são: 

  • Liquidez baixa: É mais difícil rever esses títulos antes do vencimento. O mercado secundário é pequeno. 
  • Sem cobertura do FGC: CRIs e CRAs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. 
  • Risco maior: Dependendo do lastro, o risco de crédito pode ser elevado. É preciso analisar bem antes de investir. 
  • Valor mínimo: Algumas ofertas desabilitam os esportes iniciais altos, ou que limitam o acesso. 

Como escolher um bom CRI ou CRA 

CRI e CRA serão boas aplicações se os investidores investirem em metas que se enquadrem nas características do papel. Por isso, o primeiro passo é avaliar o próprio perfil de investimento e os objetivos traçados para o dinheiro que vai ser aplicado. É preciso considerar, por exemplo, o prazo do investimento e as chances de precisar de dinheiro antes disso. 

Também é importante verificar o nível de risco dos papéis. Se os recursos que você tem para aplicar em certificados de recebíveis representam uma parte muito relevante do seu patrimônio, sua exposição ao risco pode acabar ficando muito elevada. Lembre-se de que CRIs e CRAs não são cobertos pelo FGC. 

Compare também os prazos e a rentabilidade oferecidos pelos certificados com os de outros investimentos de perfil de risco semelhante. Procure entender quais são as razões para as diferenças que encontrar. A proposta de remuneração em um produto financeiro é maior conforme o risco que ele envolve. 

Rentabilidade do CRI e CRA 

Por serem papéis de renda fixa, os remuneradores que os certificados de recebíveis oferecem aos investidores seguem um modelo semelhante ao de outros investimentos da categoria. Normalmente, os CRIs e CRAs adotam uma das estruturas a seguir: 

  • Remuneração prefixada: o investidor já sabe desde o momento em que compra o certificado o valor da taxa de juros que ganha ao longo do tempo – 3%, 5% ou 10% ao ano, por exemplo. Assim, é possível calcular exatamente a rentabilidade em reais que obterá até o vencimento do papel. 
  • Remuneração pós-fixada: o investidor sabe o indicador que servirá de referência para as despesas desde o início, que pode ser o CDI (principal índice de rentabilidade da renda fixa) ou a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira), por exemplo . O retorno efetivo da aplicação, no entanto, é desconhecido, pois seguirá a dinâmica das variações do indicador. Se ele subir ou cair ao longo do tempo, os pagamentos em reais poderão ser maiores ou menores. 

Nesses casos, o retorno dos CRIs e CRAs é um percentual do indicador de referência – como 110% do CDI ou 90% da Selic ao ano. Assim, o investidor receberá 110% do que rende o CDI ao longo de um ano ou 90% da Selic. 

Também é possível encontrar papéis que adotem a fórmula “CDI mais spread”, em que a remuneração é igual ao CDI mais uma taxa – 1% ou 2% ao ano, por exemplo. 

  • Remuneração atrelada à inflação: os certificados desse tipo têm uma parcela prefixada e outra pós-fixada de rentabilidade. A parcela prefixada garante uma taxa de juros mínima (como 4% ou 5% ao ano). A pós-fixada é a variação da inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). 

Qual desses formatos de remuneração é o melhor? Isso depende das características e dos objetivos de cada um com o investimento. Algumas estruturas são ideais para preservar o poder de compra no longo prazo, enquanto outras são mais adequadas para as épocas em que as taxas de juros estão caindo ou subindo. É necessário considerar esse conjunto ao escolher uma alternativa. 

Prazos 

Os prazos dos CRIs e CRAs são normalmente bastante longos, de pelo menos 2 anos ou mais. Isso ocorre porque os créditos que duram esses papéis também possuem vencimentos dilatados. 

Por exemplo, se o CRI foi emitido com base em parcelas de financiamentos imobiliários com prazo de pagamento de 20 anos, o certificado também terá uma duração próxima a isso. O mesmo vale para o CRA lastreado em créditos do agronegócio, que pode se estender por muitos anos. 

Dessa forma, o investidor que aplica em CRI ou CRA deve estar preparado para manter o investimento por um longo período. Não é recomendado investir nesses papéis caso haja a possibilidade de precisar resgatar os recursos no curto prazo. 

A baixa liquidez desses certificados também está relacionada aos extensos vencimentos. Como os papéis duram muitos anos, é mais difícil encontrar compradores específicos em assumi-los antes do prazo final. 

Portanto, ao considerar o investimento em CRI ou CRA, é essencial analisar se o perfil e os objetivos do investidor são compatíveis com aplicações de longo prazo e baixa liquidez. Caso contrário, pode ser melhor optar por outros investimentos mais adequados. 

Liquidez 

O nível de dificuldade para resgatar o dinheiro aplicado nos certificados de recebíveis é um fator que os investidores precisam considerar. De modo geral, CRIs e CRAs são considerados produtos de baixa liquidez. Para quem não tem certeza de que poderá manter os investimentos até o vencimento, eles podem ser uma opção ruim. 

Via de regra, os certificados de recebíveis são investimentos com vencimento no longo prazo – de pelo menos dois anos, podendo chegar a mais de 15 anos. Para receber remunerações acordadas na época da emissão, o investidor deverá manter a aplicação durante esse período inteiro. 

Se você precisar de recursos antes do vencimento, a alternativa é recorrer ao mercado secundário, para tentar vender os papéis diretamente a outros investidores que tenham participação específica. Na B3, CRIs e CRAs são negociados no Bovespa Fix, ambiente em que são guardados outros papéis de renda fixa. 

No entanto, mesmo no mercado secundário, a liquidez é restrita. Em grande parte, isso se dá porque outros produtos de renda fixa são emitidos em volume muito maior do que CRIs e CRAs. 

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